historia alimentação madeira
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DADOS PARA A HISTÓRIA DA ALIMENTAÇÃO NA MADEIRA
Alberto Vieira
No mundo actual a culinária adquiriu elevado requinte.
A sociedade chamada de consumo
universalizou os nossos hábitos gastronómicos.
Os hipermercados, os restaurantes...
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DADOS PARA A HISTÓRIA DA ALIMENTAÇÃO NA MADEIRA
Alberto Vieira
No mundo actual a culinária adquiriu elevado requinte.
A sociedade chamada de consumo
universalizou os nossos hábitos gastronómicos.
Os hipermercados, os restaurantes são a expressão
disso e ninguém os dispensa o acto de comer e beber deixou de ser uma necessidade fisiológica
para se tornar num prazer.
O requinte da cozinha, a arte e mestria dos cozinheiros assim o
demonstram.
A mesa transformou-se num espaço importante.
À mesa selam-se contratos, decide-se os
destinos de um país, ou celebra-se um evento particular.
Ainda há bem pouco tempo a
inauguração da Ponte Vasco da Gama fez-se com uma monumental feijoada.
A nossa culinária não está alheia a esta realidade.
Ela é fruto duma herança europeia dos
colonos que lançaram a semente no século XV e dos demais que foram atraídos pela sua magia e
beleza.
Os ingleses são os segundos descobridores da ilha e aqueles que mais influência nos
legaram.
A mesa torna-se variada ajusta-se ao paladar dos convivas e à disponibilidade dos
produtos.
A posição da ilha, o seu protagonismo histórico contribuiu para a sua afirmação desde o
século XV e definiram uma evolução peculiar da mesa.
Os forasteiros, de passagem ou em busca da cura para a tísica pulmonar, isto nos séculos
XVIII e XIX, são os criadores e apreciadores da nossa gastronomia.
Habituados às laudas mesas
reprovam a frugalidade da mesa rural.
O gáudio está no Funchal, nos salões das quintas ou do
Palácio do Governador.
Assim em 1793 saiu da ilha agradado com a mesa do governador da ilha,
D.
Diogo Pereira Forjaz Coutinho " A sua mesa é uma das mais variadas e delicadas e em poucas
partes do mundo se poderia apresentar cousa semelhante.
Travessas esplêndidas sustentam animais inteiros; ali deparei com um porquinho
recheado rodeado de laranjas, uma lebre armando um salto, faisões tentando levantar voo,
ornados com a sua vistosa e flamejante plumagem".
Esta opulência contrastava com a frugalidade da alimentação do povo.
Diz-nos George
Forster que "os camponeses são excepcionalmente sóbrios e frugais; a alimentação consiste em
pão, cebolas, vários tubérculos e pouca carne".
Na verdade a mesa madeirense foi sempre muito frugal, situação que era quebrada nos
momentos festivos, nomeadamente no Natal, Espírito Santo e festividades em honra dos diversos
oragos das paróquias da ilha.
É em torno do calendário religioso que o madeirense estabelece os
vários momentos que marcam a sua gastronomia.
Para ele o Natal é a festa, isto é o momento mais
importante do ano da vivência festiva quotidiana.
A devoção religiosa mistura-se com os
folguedos e as delícias da mesa.
A tradição anota mesmo um calendário para este ritual.
A 8 de
Dezembro faz-se o bolo de mel.
A 15 de Dezembro mata-se o porco de modo a que as linguiças e
a carne de vinho e alhos estejam prontas para o Natal.
Neste dia no regresso da missa do galo
prova-se a carne.
A mesa mantém-se farta de licores, doces e bolos para gáudio dos que estão e
dos visitantes.
O caldo de galinha caseira e a carne assada com cuscuz completavam o repasto
natalício.
Depois o calendário religioso e o ano agrícola estabeleciam o resto.
Na Sexta-feira Santa é
a tradição do inhame cozido com bacalhau, no S.
Martinho o atum salpresado.
Hoje, todavia este
calendário gastronómico perdeu algumas das suas razões de ser.
As actuais técnicas de
conservação dos produtos, a actual sociedade de consumo permitem que a disponibilidade dos
produtos e o seu consumo percam essa sazonalidade.
A tradição estabeleceu a matriz, mas os diversos contactos e presença de forasteiros
vieram quebrar a monotonia da ementa diária e transformar o acto de comer.
A ilha, terra de
passagem de gentes assistiu também à movimentação e descoberta do mundo animal e vegetal.
A
ilha foi, na verdade, o espaço de passagem das plantas do continente Europeu para o novo mundo
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