O velho guitarrista
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1 O velho guitarrista Bairro Alto. Varanda de direito de quarto andar. Estava trabalhando a técnica com o segundo volume do “escuela razonada de la guitarra”; os olhos desviavam-se mais uma vez para a partitura quando, em refazer de repetição, retomava fôlego e o ânimo. Apesar da postura e posição correcta das mãos, sabia jamais poder vir a ser “Baden” ou “Williams”, dificilmente conseguiria evoluir de forma a tocar bem peças como “el colibri” de Sagreras, “sunburst” de York ou “la catedral” de Barrios Mangoré. Mesmo assim, continuávamos lutando, eu e o exercício pouco melódico. Entretanto ouço a voz baixa e educada. Que opina. “Jorge, é impressão minha ou você está fazendo bons progressos?” Francisco era sempre encorajador e tinha paciência de santo para ficar me ouvindo. Consegui retorquir com um tímido “achas mesmo?”. “Sim. A prática leva à perfeição” disse ele enfaticamente, de modo a não deixar margem para dúvidas. Ficou observando e escutando mais um pouco após o que saiu em silêncio, sem mais aviso. Voltaria uns quinze