A jogada do éter
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1 A jogada do Éter O gordo ergueu a vista observando o infinito no horizonte feito de mar e céu que se estendia para lá das vidraças. Fim de tarde, bandos de pássaros esvoaçam desaustinados e sem rumo numa inquietude mal percebida. A namorada, uma negra de rosto longo, feições finas e cabelo frisado está de “jeans” e veste uma camiseta branca de algodão por detrás da qual espreitam os seios bem torneados com pontas húmidas espetadas, gulosas. Não tira os olhos do tabuleiro. Parece concentrada, decidida a vencer. “És tu a jogar, Aníbal” Cofiou a barba branca e analisou a situação. “Tens a certeza? Ia jurar que tinha acabado de mover a peça…” Ela sorriu. Já jogavam há vários milhares de anos e conhecia-lhe bem as manhas. Tudo o que ele queria naquele momento era ganhar um pouco de tempo para usar a mente, explorar as alternativas. Levantou-se, sorriu com ar provocador e enlaçou-o pela cintura “Querido… acho que estás a necessitar de um café e um digestivo”