O labirinto
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1 O Labirinto “Fssst, fssst” O cilindro metálico da TX-RY5 rodou sobre si mesmo permitindo que a camada exterior descesse o espaço suficiente - uns quarenta centímetros. Então, o núcleo emergiu sem pudor e apontou ao alvo, libertando a sequência de ondas electromagnéticas imperceptíveis. A máquina cumpria assim mais uma vez e de forma quase cem por cento eficaz o seu desígnio - apagar para sempre as recordações mais recentes deixando no entanto intactos conteúdos de memória de longa duração. No meio do corredor estreito, Greg sentiu o som surgir com uma familiaridade estranha. Olhou para si próprio descobrindo o corpo cinzento e magro completamente nu. A nuca desprovida de cabelos, as sobrancelhas finas com se fossem desenhadas num único traço, os olhos com pupilas de cor mortiça – cinzento-escura, tudo lhe indiciava a realidade da situação desconfortável. Era um personagem abandonado, sem ocupação ou pelo menos com uma ocupação que não entendia. Sentiu-se apoderado de raiva surda, um poder que emergia do “dentro de si”, força bruta que até agora desconhecera. A memória de longa duração chegou sorrateiramente, impondo-se passo a passo, trazendo consigo o saco contentor de pedaços de nostalgia. Lembrou-se.