AAAA
Era Janeiro, uma daquelas manhãs claras e secas que fazem lembrar velhos montanheses
de bigodes gelados e olhos piscos do sol.
Nevara.
Grandes e densos flocos tinham caído durante
toda a noite.
Depois, com a chegada do dia, um
floresta, que começa atrás da casa e se estende pela montanha, estava completamente
adormecida,...
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AAAA Era Janeiro, uma daquelas manhãs claras e secas que fazem lembrar velhos montanheses de bigodes gelados e olhos piscos do sol. Nevara. Grandes e densos flocos tinham caído durante toda a noite. Depois, com a chegada do dia, um floresta, que começa atrás da casa e se estende pela montanha, estava completamente adormecida, envolta num grande silêncio gelado. Por entre as árvores estendiam azuis. Os pinheiros vergavam sob o afastar as nuvens. Isabel e Gerardo viviam ali, de portadas verdes. Lá longe, na margem gelada da ribeira, ficava a aldeia, que mal se via manhã, bem como o caminho que seguia ao longo dos campos e atravessava a pradaria. janela, as duas crianças esforçavam curva, onde se encontrava o gr cortar. Mas, para lá dele, tudo se confundia. Isabel e Gerardo viram passar um pássaro, depois outro e depois um bando que se empoleirou na ramada fazendo cair montinhos de neve. — Estão com frio — disse Isabel. Arranjou alguns grãos e Gerardo abriu a janela. — Fecha
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Pub. on Nov. 28th 2011
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A ÁRVORE QUE FALAVA
Lá longe, muito longe… bem no coração da savana, vivia uma árvore maior e mais velha do
que qualquer outra.
Sob a sua corcha abrigava toda a sabedoria de África.
Junto ao seu tronco, por
entre as altas ervas, a leoa espiava o antílope ou a zebra que se tinham afastado do grupo… E, como
era a única...
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A ÁRVORE QUE FALAVA Lá longe, muito longe… bem no coração da savana, vivia uma árvore maior e mais velha do que qualquer outra. Sob a sua corcha abrigava toda a sabedoria de África. Junto ao seu tronco, por entre as altas ervas, a leoa espiava o antílope ou a zebra que se tinham afastado do grupo… E, como era a única árvore das redondezas, os pássaros, que se empoleiravam nos ramos mais altos, conheciam-na bem, assim como as girafas que comiam as folhas dos ramos do meio e os leões que se estendiam sob os ramos baixos para fazerem a sesta… E assim a árvore conhecia todos os segredos dos pássaros, dos leões, das girafas, das zebras e de muitos outros animais. É que ela escutava com todas as suas folhas. Até mesmo os homens vinham sentar-se debaixo dela para, no momento das grandes decisões, discutirem os assuntos mais graves à sombra dos seus ramos. A árvore sabia mais sobre os homens do que o mais velho dos anciãos e o mais sábio dos sábios. Porque ela sabia calar-se, enquanto el
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Pub. on Nov. 24th 2011
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A ESCADARIA DAS FADAS
ohamed Ben Tahir foi um dos emires que governaram a formosa cidade espanhola
de Valência na época em que pertencia aos mouros.
Era um homem de meia-idade, moreno e de olhos profundos, usava um turbante e vestia
um albornoz branco.
O emir tinha uma filha chamada Aixa, uma jovem de grande beleza, a quem...
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A ESCADARIA DAS FADAS ohamed Ben Tahir foi um dos emires que governaram a formosa cidade espanhola de Valência na época em que pertencia aos mouros. Era um homem de meia-idade, moreno e de olhos profundos, usava um turbante e vestia um albornoz branco. O emir tinha uma filha chamada Aixa, uma jovem de grande beleza, a quem o povo de Valência apelidara de «Flor dos Jardins» por gostar muito de correr pelos campos e de respirar o perfume das flores e dos bosques. O emir adorava a filha e dava-lhe todas as riquezas que podia. Os seus inúmeros tesouros pareciam-lhe pouco para a sua querida filha. Porém, Ben Tahir sabia muito bem que as riquezas que lhe dava não chegavam para a educar. Aixa tinha de ter tanto de riquezas como de sabedoria, por isso chamou um sábio para ensinar a princesa. O professor também era árabe e usava um chapéu em cone, vestia um traje estrelado e tinha uma respeitável barba branca como todos os magos. A jovem, que tinha enorme vontade de aprender, acolhe
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Pub. on Nov. 24th 2011
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A criança-que-se-aborrece
e
a criança-que-brinca-sozinha
Era uma vez uma criança que se aborrecia.
Aborrecia-se no cinema, na ginástica, na
bicicleta, nas férias, na escola, a trincar um biscoito, a chupar um gelado, a jogar xadrez, dominó,
Playmobil… Por isso lhe chamavam a criança-que-se-aborrece.
Antes de nascer,...
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A criança-que-se-aborrece e a criança-que-brinca-sozinha Era uma vez uma criança que se aborrecia. Aborrecia-se no cinema, na ginástica, na bicicleta, nas férias, na escola, a trincar um biscoito, a chupar um gelado, a jogar xadrez, dominó, Playmobil… Por isso lhe chamavam a criança-que-se-aborrece. Antes de nascer, tinha-se aborrecido num cantinho da barriga da mãe. E tinha amuado, cruzado os braços, feito beicinho. Tinha recusado brincar com o cordão umbilical (que dizem ser o primeiro brinquedo do mundo) e dar cambalhotas na água. Agora, passava-se o mesmo. A criança-que-se-aborrece ficava num canto do quarto, com os braços cruzados, a suspirar o dia todo. De vez em quando, por surpresa ou por acaso, divertia-se durante um quarto de segundo: quando um robô glutão devorava um exército de seiscentos homens, quando a obscuridade caía sobre o ecrã da sala de cinema, quando um tiranossauro perseguia, com os dentes todos arreganhados, um dinossauro, quando traziam o seu bolo de ani
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Pub. on June 30th 2011
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A SENHORA DOS LIVROS
A minha família e eu vivemos num sítio muito alto, pertinho do céu.
A nossa casa
fica situada num local tão alto que quase nunca vemos ninguém, a não ser falcões a
planar e animais a esconder-se por entre as árvores.
Chamo-me Cal e não sou nem o mais velho nem o mais novo dos irmãos.
Mas,
como sou o...
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A SENHORA DOS LIVROS A minha família e eu vivemos num sítio muito alto, pertinho do céu. A nossa casa fica situada num local tão alto que quase nunca vemos ninguém, a não ser falcões a planar e animais a esconder-se por entre as árvores. Chamo-me Cal e não sou nem o mais velho nem o mais novo dos irmãos. Mas, como sou o rapaz mais velho, ajudo o meu pai a lavrar e a ir buscar as ovelhas quando, às vezes, elas se escapam. Também me acontece trazer a vaca para casa ao pôr-do-sol, e ainda bem que o faço. É que a minha irmã Lark passa o dia todo a ler. O meu pai diz sempre que nunca se viu uma rapariga tão super-leitora. . . Cá comigo não é assim. Não nasci para ficar sentado e quieto a olhar para quatro garatujas. E não acho graça nenhuma a que a Lark se arme em professora, porque a única escola que existe fica a quilómetros daqui e ela dificilmente lá chegará. Por isso é que ela quer ensinar-nos. Só que, a mim, a escola não me interessa! Sou sempre o primeiro a ouvir o ruído d
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Pub. on June 16th 2011
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MOZART, O MENINO MÁGICO
Havia um cravo no meio do quarto e uma janela a dar para a rua.
O cravo
não era uma flor e sim um instrumento polido, elegante, bonito, capaz de fazer
música, de encher os dias com o som suave das suas teclas brancas e negras,
com a alegria dos seus acordes, das suas harmonias leves e limpas como a voz
do...
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MOZART, O MENINO MÁGICO Havia um cravo no meio do quarto e uma janela a dar para a rua. O cravo não era uma flor e sim um instrumento polido, elegante, bonito, capaz de fazer música, de encher os dias com o som suave das suas teclas brancas e negras, com a alegria dos seus acordes, das suas harmonias leves e limpas como a voz do vento. O menino levantou-se do chão, sentou-se no banco almofadado e pousou as mãos pequeninas sobre as teclas. Que música ia nascer dos seus dedos saltitantes como pássaros contentes com a chegada da Primavera? Atrás do menino havia um vulto e atrás do vulto uma luz igual à que cobre as telas dos pintores. O menino gostava da luz e o seu sorriso de menino feliz era já uma espécie de música a enfeitar a vida da casa. “Amadeu”, — disse a voz atrás do menino —, “hoje tens ainda muito trabalho pela frente, dois minutos para estudar, uma longa lição para aprender. ” O menino gostava que soubessem que, para ele, tocar era uma maneira de brincar e que o cravo, o
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Pub. on May 30th 2011
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Brincar às guerras
― Está muito calor para jogar basquete.
Vamos fazer outra coisa ― sugeriu Luke.
Os amigos sentaram-se à sombra do salgueiro a decidir o que fazer.
― Tens mais balões de água? ― perguntou Danny.
― Não ― respondeu Luke.
― Quem me dera ter.
― Podemos jogar jogos de vídeo ― sugeriu Sameer,...
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Brincar às guerras ― Está muito calor para jogar basquete. Vamos fazer outra coisa ― sugeriu Luke. Os amigos sentaram-se à sombra do salgueiro a decidir o que fazer. ― Tens mais balões de água? ― perguntou Danny. ― Não ― respondeu Luke. ― Quem me dera ter. ― Podemos jogar jogos de vídeo ― sugeriu Sameer, com um sorriso rápido. ― Não, não podemos ― disse Luke. ― A minha mãe disse que tínhamos de brincar ao ar livre. ― Já sei! ― exclamou Jeff. ― Vamos brincar às guerras! Luke levantou-se logo. ― Que óptima ideia! ― concordou. ― E se fôssemos andar de bicicleta? ― sugeriu Jen. ― Não, nem pensar ― atalhou logo Jeff. ― A guerra é melhor! Há muito que não brincamos. E Luke acrescentou: ― Podemos esconder-nos e fazer uma emboscada. Jen, tu és boa a atirar granadas. Jen sorriu. Luke pegou num pau e traçou uma linha no chão poeirento. De um lado escreveu um grande S e do outro desenhou um I.
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Pub. on May 26th 2011
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AS SEREIAS DO FUNDO DA ÁGUA
No fundo dos oceanos, nos lagos e nas piscinas, nos mais profundos abismos, vivem as
sereias do mar.
Nem sempre são gentis.
Algumas são mesmo caprichosas.
É o caso das
sereias das piscinas, com os seus cabelos emaranhados, as suas caudas de tubarão e as suas
unhas pontiagudas.
No fundo das piscinas,...
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AS SEREIAS DO FUNDO DA ÁGUA No fundo dos oceanos, nos lagos e nas piscinas, nos mais profundos abismos, vivem as sereias do mar. Nem sempre são gentis. Algumas são mesmo caprichosas. É o caso das sereias das piscinas, com os seus cabelos emaranhados, as suas caudas de tubarão e as suas unhas pontiagudas. No fundo das piscinas, falta o ar e sobra o tempo. As sereias, caprichosas, perigosas e cruéis, inventaram um jogo que as diverte imenso: puxar as crianças pelos pés e atraí-las a elas. As crianças funcionam como brinquedos para elas, sobretudo quando não sabem nadar bem, não sabem vir à superfície, não têm bóia nem braçadeiras. Se este jogo as diverte, é porque é muito perigoso para as crianças e proibido no país das sereias. As mães-sereias avisam: — As crianças não sabem viver debaixo de água. Só conseguem sobreviver em terra, porque os seus pulmões precisam de ar livre para respirar. Se ficarem na água sem saber nadar, sem poder retomar o fôlego, caem como pedras no fundo
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Pub. on May 1st 2011
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AS SAPATILHAS DE SOFIA
Na aldeia de Sofia, o sol é muito brilhante e faz sempre muito calor.
Raramente chove mas, quando
isso acontece, a chuva cai, ininterruptamente, dias seguidos.
Era um dia abrasador e Sofia não conseguia abrir os olhos naquela luz tão intensa.
No ar pairava uma
quietude quando, de repente, se ouviu um ruído...
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AS SAPATILHAS DE SOFIA Na aldeia de Sofia, o sol é muito brilhante e faz sempre muito calor. Raramente chove mas, quando isso acontece, a chuva cai, ininterruptamente, dias seguidos. Era um dia abrasador e Sofia não conseguia abrir os olhos naquela luz tão intensa. No ar pairava uma quietude quando, de repente, se ouviu um ruído semelhante ao zumbido de um enxame de abelhas, que aumentava cada vez mais. O porco começou a grunhir e as galinhas a cacarejarem. Sofia queria perceber o que se passava e, sentada direita como um pau de vassoura, pôs-se à escuta. “Deve ser a carrinha do homem dos números”, pensou ela enquanto esfregava os olhos. Uma vez por ano, um homem da cidade chegava à aldeia numa carrinha vermelha. A gente da aldeia dizia que era o homem dos números. O homem contava as pessoas da aldeia a mando do governo. Depois de fazer o seu percurso, o homem parou defronte da casa de Sofia. — Quantas pessoas vivem aqui? — perguntou. — Duas — respondeu Sofia, — a minha mãe
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A Nossa Grande Casa
Um Poema Sobre a Terra
Vivemos todos aqui.
Pessoas, formigas, elefantes, árvores,
Lagartos, líquenes, tartarugas, abelhas.
Todos partilhamos a mesma grande casa.
Partilhamos a água.
Salpicamos, chapinhamos e nadamos na água.
E todos bebemos água.
Baleias, golfinhos, manatins,
Pinguins, palmeiras, tu e...
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A Nossa Grande Casa Um Poema Sobre a Terra Vivemos todos aqui. Pessoas, formigas, elefantes, árvores, Lagartos, líquenes, tartarugas, abelhas. Todos partilhamos a mesma grande casa. Partilhamos a água. Salpicamos, chapinhamos e nadamos na água. E todos bebemos água. Baleias, golfinhos, manatins, Pinguins, palmeiras, tu e eu. Todos partilhamos a água na Terra, A nossa grande casa azul.
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